Casa de Dona Yayá realiza Seminário: Bixiga, território cultural

O Bixiga é um bairro que formalmente não existe. Para além da ausência de uma delimitação legal, trata-se de uma região da cidade de São Paulo marcada pela sobreposição de narrativas, vozes, intervenções, presenças e ausências. Lugar de múltiplas manifestações culturais, heranças e conflitos, o Bixiga parece apresentar na prática da vida cotidiana fronteiras fluídas, caracterizações variadas, marcas de memória fragmentadas porque constantemente alimentadas por novos estímulos e novas práticas sociais.

Impossível de ser reduzido a uma caricatura de si mesmo, o Bixiga se apresenta como uma realidade complexa: bairro ao mesmo tempo negro, nordestino, italiano, africano, boêmio, central e periférico, é constante objeto de disputas em torno de seu imaginário, de suas representações e das intervenções sobre seu território.

É nesta realidade múltipla, conflitiva e fragmentada que se estabelecem ao mesmo tempo graves dificuldades e ricas potencialidades para a formulação de projetos, de intervenções e de formulação de políticas públicas de patrimonialização, em uma perspectiva contemporânea e democrática. Fruto de ações pioneiras de inventariação do patrimônio cultural nos anos 80, o bairro foi alvo de uma resolução municipal de tombamento em 2002 que, pelas limitações dos instrumentos jurídicos disponíveis, reduziu tal realidade complexa a uma lista de bens tombados isoladamente — bens que, mesmo quando tomados em conjunto, privilegiam determinadas narrativas sobre o bairro ao mesmo tempo em que ignoram ou colaboram para o apagamento de outras.

Em face de recentes e polêmicas propostas de intervenção em alguns destes bens isolados, cabe lançarmos um olhar mais pausado e reflexivo sobre os limites e potencialidades das ações patrimoniais e de preservação: quais as virtudes e vícios das ações preservationistas promovidas até o momento? Em que medida o tombamento de 2002 promove uma narrativa limitada sobre o bairro e o quanto ele o protegeu? Como promover ações pontuais que incorporem um olhar mais amplo sobre o território, de forma plural e democrática?

Data e horário
02 de maio de 2017 das 9h às 18h30.

Atividade Gratuita

Público Alvo: pesquisadores, estudantes, moradores e trabalhadores do bairro.

 

Programação:
Manhã
9:00 – 9:30 – Abertura
Prof. Mônica Junqueira de Camargo – Centro de Preservação Cultural da USP
Sr. Luis Sobral – APAA – Associação Paulista dos Amigos da Arte – Teatro Sérgio Cardoso

9:30 – 11:30 – Mesa 1. Bixiga: Patrimônio Cultural
Do IGEPAC Bela Vista à resolução de tombamento de 2002. Mirthes Baffi (DPH–PMSP)
Inventário participativo de referências culturais no Bixiga.
Karina Alves (GT Bixiga/Repep/Espaço Cultural Bela Vista)
Os Bixigas invisíveis.
Márcio Sampaio de Castro (FACAMP)
Mediação e debate: José Lira (FAUUSP)

Tarde
14:00 – 16:00 – Mesa 2. Instrumentos e projetos
Paisagens culturais.
Rafael Winter Ribeiro (UFRJ)
Territórios de interesse da cultura e da paisagem.
Euler Sandeville Jr (FAUUSP)
Inventários participativos de referências culturais.
Simone Scifoni (FFLCHUSP)
Conservação, restauração e gestão do patrimônio.
Flávia Brito do Nascimento (FAUUSP)
Debatedor: Heitor Frúgoli (FFLCHUSP)

16:00 – 16:30 – Intervalo

16:30 – 18:30 – Mesa 3. Agentes e instituições
Representante da Rede Social Bela Vista
Representante do Grupo Silvio Santos – Eng. Jaime Ferreira
Representante do Teatro Oficina – Arq. Carila Matzenbacher
Representante do DPH – Dra. Mariana Rolim
Debatedor: CPC – Arq. Gabriel Fernandes / Mônica Junqueira de Camargo

Inscrições até 26 de abril de 2017 no link
Até 28 de abril de 2017 todos os interessados serão contatados por email.

Vagas: 114

Local: Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno
Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo – SP

 

 

Fonte: Centro de Preservação Cultural da USP – Casa de Dona Yayá