Exposição revela detalhes da organização social de Machu Picchu

Martin Chambi foi um dos pioneiros a fotografar a cidade dos incas. Suas imagens estão no Salão Caramelo da FAU USP

A aventura pioneira do fotógrafo peruano Martin Chambi para registrar, em 1920, a infinitude de Machu Picchu, está sendo apresentada na exposição Machu Picchu, a Cidade Perdida dos Incas, no Salão Caramelo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. As fotos, embora tenham sido impressas em cartazes com o objetivo de ser itinerantes, evidenciam a sensibilidade de Chambi, que procurou divulgar a natureza do Peru e a gente simples da sua terra natal Coaza, província de Carabaya, norte do lago Titicaca. Também documentou diversas cidades, mostrando o cotidiano dos indígenas e da população em geral.

Nesta exposição, oferecida à FAU pelo Consulado do Peru, o foco é apresentar o trabalho de Chambi documentando uma das sete maravilhas do mundo. “A mostra apresenta detalhes da cidade de Machu Picchu. É um exemplo de organização social, produtiva, administrativa e religiosa dos incas. Interessante também observar, sob as lentes do fotógrafo, o planejamento urbano e controle territorial”, observa o cônsul geral adjunto do Peru, Fernando Alvarez.

O poeta da luz
Martin Chambi nasceu no dia 5 de novembro de 1891 em uma família indígena. O pai trabalhava nas minas de ouro da província de Carabaya. Foi nos arredores, na mina de Santo Domingo, que aprendeu as primeiras noções de fotografia com um engenheiro inglês que trabalhava nas minas. Ficou tão impressionado que decidiu ser fotógrafo.

Em 1908, foi para Arequipa, aprender o ofício. Durante nove anos, trabalhou como aprendiz de Max T. Vargas e depois montou o seu próprio estúdio em Sicuani. Em 1923, abriu em Cuzco um novo ateliê de fotografia. As viagens pelo Andes resultaram em fotos que impressionavam pela proximidade com a pintura.

E também pelos retratos valorizando a luz natural e a composição das paisagens, buscando destacar a dimensão e a vastidão dos Andes.

Chambi passou a ser conhecido como o poeta da luz e também por dar voz aos andinos. Justificava: “Meu povo fala nas minhas fotografias”. Morreu em 1973 e suas fotos, cerca de 14 mil placas, foram catalogadas pelo antropólogo e fotógrafo norte-americano Edward Ranney. Ele conheceu o trabalho de Chambi quando ele tinha 73 anos. Ficou impressionado com o material e resolveu divulgar o trabalho do peruano nos Estados Unidos, Canadá e Europa. Suas fotos integram o acervo do MoMA de Nova York e também coleções particulares do fotógrafo peruano Mario Testino e do brasileiro Sebastião Salgado.

Legado precioso nas mãos do neto fotógrafo
Os passos de Martin Chambi na arte da fotografia são seguidos pelo neto Teo Allain Chambi. Na exposição da FAU, estão as fotos recentes de Machu Picchu. O neto procurou mostrar os mesmos ângulos das fotos do avô, porém com as cores traduzidas dos tons das imagens originais.

Além de fotógrafo, Teo é responsável pela preservação do arquivo de Martin Chambi. Um acervo que reúne toda a sua produção de 1917 a 1970.

“Junto com a minha esposa, temos escaneado as placas e já digitalizamos 9.800 imagens, que são apenas um terço de tudo o que temos”, observa Teo Chambi.

Exposição Machu Picchu, a Cidade Perdida dos Incas até o dia 31 de maio. Local: Salão Caramelo da FAU/USP – Rua do Lago 876, entrada franca.

 

Fonte: Jornal da USP | Por Leila Kiyomura